Algumas coisas que escrevo por ai

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mais uma humana

         Sentada em frente ao pc as duas da madrugada, como se não fosse normal. Só ela ouve o "muse" com "Hysteria" tocar ao máximo pelos pequenos fone. Ela olha a tela, mas não pensa realmente no texto que está lendo. Ela não está lá, simplismente não quer está sentada sozinha em seu apartamento, por isso ela se refugia nele.
          No toque de sua pele, em seu cheiro tão bom, seu calor sendo transmitido ao corpo dela. Ela lembra de sua frase "Não importa, faz do jeito que você gosta. Eu quero te dar prazer, só". Ela ainda não entende o significado dessa frase. Ela necessita compreende porque ele disse isso à ela enquanto a possuiu. Ela se senti suja.
         Tão acostumada a se doar e ali, naquele instante ela entende que não era ele quem a possuia enquanto entrava ente suas pernas. Ela entende que naqueles quarenta minutos ela também o pussuiu, as gotas caem, não tintas de sangue como no livro que ela lia. Elas caem como gotas cristalinas por uma dor que ela não compreende. Caem por pussui-lo. Por não poder mais possui-lo, não que ele não queira, afinal, ele sabe como mandar tudo se fuder, ele sabe que não irá sofrer de verdade e como induzi-la a ser possuida de novo.
          Ela não pode mais possui-lo por culpa, como a amante de um homem casado,mas ele não o é. O que ela não consegue perceber é que está impondo barreras a ela mesma. Afinal ela é só mais uma Humana.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Black

        Mais uma tarde chega ao fim, ela olha o outro lado da rua, “Cinza, sempre cinza” pensa. Ela não vê as cores do sol sumindo atrás dos prédios. E ela não vê as pessoas passando. As pessoas que correm, que cumprem horários apertados. Ela não vê nada, não, ela só o vê. Ela o vê longe, como se parado no tempo igual a ela.
        As pessoas passando e eles parados. Ele cantarolando Beatles, um pé apoiado na parede, a fumaça saindo por entre seus lábios vermelhos e desejáveis. E ela o olhando, o contemplando parada enquanto seu copo de café esfriava e o black dançava em seus dedos.
       Não que ele fosse um deus grego, nem que ele fosse de uma beleza estonteante. Era a sua personalidade, o seu jeito envolvente, que o tornava tão irressistível. A forma como ele era tão pornograficamente doce, como o anjo de uma meretriz.
       Ele não era o tipo dela. Ele era alto, o corpo mais desenvolvido, ombros largos, barba por fazer em seu doce rosto de 16 anos.
       Ele a olhou. O black escorregou de seus dedos, quase caindo, ela se recuperou a tempo. Trincou os dentes como sempre fazia quando estava nervosa.
      Um sorriso se formou no canto de sua boca. O sorriso dele que ela mais adorava. O sorriso que ela sempre lembrava se formando nos seus lábios enquanto sua pele era comprimida a dele.
      Sempre que esse sorriso se formava ela sentia o mesmo desejo, a mesma tranquilidade que sentiu mesmo estando sem blusa e em cima dele dentro do banheiro feminino da escola. Um sorriso sempre rompia nos labios dela quando pensava nesse pequeno paradoxo particular.
     Sempre tivera medo de atravessar a rua e sempre disseram ser um medo infundado.
     Do outro lado da rua ele esperava apreciando os últimos instantes. O sorriso agora apagado.
     Ela deu o primeiro passo, seu All Star tocando o asfalto. Era mais uma na estatística. Agora o olhar dele estava vidrado nela. O carro veio como esperado. Ela não sentiu nada.
    O sorriso retornou aos lábios dele enquanto o Black rolava esquecido pelo asfalto.